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Farmácias terão que reter receitas de antibióticos
Ainda neste ano, a compra de antibióticos só poderá ser feita mediante a apresentação de uma receita que será retida na farmácia ou drogaria
Os termos e a forma de implantação
dessa proposta serão submetidos a uma consulta pública pela Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) no máximo em um mês, e a previsão é que ela
entre em vigor em setembro.
Atualmente, a regra determina apenas
que o paciente apresente a receita, mas ele pode ir embora do estabelecimento
com ela. Mesmo essa exigência, porém, costuma ser descumprida, e o medicamento
é vendido sem prescrição, como reconhece a própria Anvisa.
Esse foi um dos motivos que levaram o
órgão a propor regras mais rígidas para a comercialização de antibióticos. O
outro é evitar a automedicação e o uso incorreto, que podem tornar as bactérias
resistentes aos medicamentos e dificultar o tratamento de algumas doenças e
infecções.
"Sou totalmente a favor do
controle. O Brasil tem um perfil bem peculiar de resistência a algumas
bactérias, como alguns pneumococos e estafilococos, que não existe em nenhum
outro lugar do mundo", diz Artur Timerman, infectologista da comissão de
infecção hospitalar do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos e do Hospital
Dante Pazzanese.
De acordo com dados da OMS
(Organização Mundial da Saúde) apresentados ontem, mais de 50% dos pacientes
tomam antibiótico apenas por um dia, o que indica uma baixa adesão ao
tratamento. Isso pode tornar a bactéria mais resistente a esse tipo de medicamento.
Outro problema é o uso de antibióticos para o combate a infecções virais.
"Os antibióticos são necessários
para matar micro-organismos como as bactérias, mas têm vários efeitos
colaterais indesejáveis. Além disso, em determinadas condições, seu uso pode
estimular o desenvolvimento de bactérias mais resistentes. A nova regra é muito
adequada, pois vai dificultar o uso indevido dos medicamentos e esses riscos
associados", acredita Marcos Boulos, professor de moléstias infecciosas e
parasitárias da Faculdade de Medicina da USP.
Restrição maior
A Anvisa também colocará os quatro
tipos de antibiótico mais vendidos sob um controle ainda mais rigoroso. São
eles a azitromicina, o sulfametoxazol, a amoxicilina e a cefalexina, usados em
mais de 1.500 medicamentos.
Farmácias e drogarias serão obrigadas
a registrar os dados relativos a cada venda, como a quantidade e o nome do
médico que fez a prescrição, como já acontece, por exemplo, com emagrecedores.
Presentes ontem em uma audiência
pública sobre a proposta, integrantes do Conselho Federal de Medicina e da
Sociedade Brasileira de Infectologia disseram aprovar as mudanças.
O representante da Abrafarma
(Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), Sérgio Barreto,
afirmou que a sua entidade também está de acordo, mas criticou o SUS (Sistema
Único de Saúde) por não disponibilizar todos os medicamentos de que a população
precisa.
O presidente da Anvisa, Dirceu Raposo
de Mello, respondeu dizendo que isso não retira dos estabelecimentos a
obrigação de obedecer à legislação sobre a prescrição dos medicamentos. "A
gente está discutindo essa regra porque ela é descumprida todos os dias."
Colaboraram JULLIANE SILVEIRA, da
Folha de S.Paulo, e IARA BIDERMAN
Autor: Angela Pinho
Fonte: Folha online
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